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  • Danilo de Albuquerque

Judite decapitando Holofernes




Embora não haja consenso, admite-se que nesta obra — Judite decapitando Holofernes (1615) — de Artemisia Gentileschi (Roma, 8 de julho de 1593 – Nápoles, 1656) há elementos autobiográficos da artista, canalizadores da raiva reprimida em relação a seu mentor, Agostino Tassi, que a teria estuprado.


Retrata-se, no quadro, um episódio bíblico do Antigo Testamento, em que a viúva Judite seduz o general Holofernes, um assírio tirano, para o matar tão logo pegasse no sono, assim livrando os israelitas de seu jugo.


O contexto histórico foi o da Contrarreforma, em que a Igreja Católica passou a reproduzir cenas bíblicas por meio de pinturas e esculturas impactantes e realistas, como resposta ao protestantismo, que inclusive considera apócrifo o livro de Judite.


A decapitação é a separação da cabeça do corpo. Pode ser acidental, homicida ou suicida. Ocasiona rápida perda de sangue, queda brusca de pressão, perda da consciência e morte cerebral em segundos. Foi muito utilizada como pena de morte na Europa, como um símbolo político. O método ainda é usado para executar condenados em alguns países do Oriente Médio, como Arábia Saudita e Paquistão, que o fazem por meio de espadas. No Brasil tivemos notícias, em 2014, de algumas decapitações no contexto de rebeliões carcerárias, no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, no Maranhão.


Eis o texto que inspirou Artemisia:


"Estavam todos embriagados pelo vinho.

Judite ficou só no seu quarto, enquanto Holofernes repousava em seu leito, mergulhado em vinho.

Judite ordenou à sua serva que ficasse do lado de fora do quarto, vigiando.

De pé ao lado do leito, movendo em silêncio os lábios, ela orou com lágrimas a Deus, dizendo: “Senhor, Deus de Israel, dai-me força. Olhai agora o que vão fazer minhas mãos, a fim de que, segundo a vossa promessa, levanteis a vossa cidade de Jerusalém e eu realize o que acreditei ser possível graças a vós”. Dizendo essas palavras, aproximou-se da coluna que estava à cabeceira do leito e tomou a espada que ali estava pendurada; desembainhou-a e, tomando os cabelos de Holofernes, disse: “Senhor, dai-me força neste momento!”

Feriu-o duas vezes na nuca e decepou-lhe a cabeça. Desprendeu em seguida o cortinado das colunas e rolou por terra o corpo mutilado. Feito isso, saiu e deu à sua serva a cabeça de Holofernes para que a colocasse dentro da sacola de provisões." (Jud 13,1.11)


Um abraço, e até a próxima.

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