Buscar
  • Danilo de Albuquerque

Myriel e os Ladrões



"Nunca devemos ter medo de ladrões ou assassinos. São perigos externos e os menores que existem. Temamos a nós mesmos. Os preconceitos é que são os ladrões; os vícios é que são os assassinos. Os grandes perigos estão dentro de nós. Que importância tem aquele que ameaça a nossa vida ou a nossa fortuna? Preocupemo-nos com o que põe em perigo a nossa alma."


(trecho de Os Miseráveis, de Victor Hugo)


Nesta pintura de Léon Bonnat (1833-1922), temos Victor Hugo, autor de obras como “Os Miseráveis” e “Notre-Dame de Paris”. O trecho que transcrevemos é uma reflexão do personagem Myriel a respeito de um episódio anterior, em que tinha sido aconselhado a não atravessar uma cadeia de montanhas onde existiam salteadores.


É importante entender o contexto dessa reflexão, caso contrário, ela pode soar hipócrita. Myriel, também conhecido como Bispo de Digne, representa o humanismo cristão, e me parece que Victor Hugo teve a ideia de contrastar o personagem com a decadência eclesiástica da época. Enquanto todos temiam pelos salteadores, Myriel, cumprindo a missão de pregador, seguiu à cordilheira, montado em sua mula, apenas acompanhado de um menino, que lhe serviu de guia. Lá ele permaneceu, entre os pastores, por quinze dias, e recebeu de dois desconhecidos uma arca, com joias e vestes episcopais, que na verdade haviam sido roubadas, no mês anterior, da catedral de Nossa Senhora de Embrun.


O Bispo de Digne voltou não apenas ileso, mas também trazendo um tesouro, que simboliza a gratificação divina pela sua coragem, a restituição dos valores primevos da própria fé. Ao que parece, foi esse o motivo de sua reflexão.


Um abraço, e até a próxima.

4 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo